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1987 CASSETE

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Entrevista

Viva Diogo, és fotógrafo.. Eu próprio tive uma galeria de fotografia durante muitos anos.. é uma área que gosto muito..fala-me um pouco sobre isso.

Olá, Luis. Faço fotografia amadora e sempre que posso vou para a rua fotografar.

Que equipamento é que tu usas?

Uso uma Canon Digital, mas assim das mais fraquinhas. Uso às vezes também uma Canon analógica AE1 que pertencia ao meu pai. Para dar um pouco de contexto, comecei a fotografar muito em 2015 e 2016, passava o dia todo na rua a fotografar. Gosto de captar momentos fugazes, momentos normais do quotidiano das pessoas. De entender esse lado igual a todos nós naquilo que fazemos e que nos torna humanos, por assim dizer. Mas também gosto de fotografar momentos de peso social.

Tu vês-te como foto-jornalista, artista plástico ou artista visual? Como é que te identificas, se é que te identificas?

Gosto de tirar fotografias a pessoas que normalmente não tem aquela beleza padrão mas que sejam diferentes, que se destacam de alguma forma. E se os apanhar a fazer alguma coisa que também não seja comum, melhor ainda. Por exemplo, encontrar pessoas a roubar ferro para irem vender ao ferro velho pode ser uma coisa que eu ache interessante captar no momento. Porque se vou tirar uma fotografia de alguém no bairro social, é diferente e novo para mim, mas para quem lá vive não é e se calhar esse tipo de conteúdo para eles não fará sentido, sendo pessoas com quem convivem todos os dias, mas para mim acho fascinante porque é toda uma realidade que não é a minha e gosto de a ficar a conhecer. Mas acho que, acima de tudo, o tipo comum, da maioria vá, a que eu pertenço, branco, que se veste casualmente sem arriscar, com o penteado igual a toda a gente e que anda pelo rato até ao jardim da estrela para beber um café num quiosque, não tem piada nenhuma para ser fotografado, é até bastante aborrecido.

És sensível então, ou há uma mensagem social no teu trabalho… Essa fotografia aí…podes falar um pouco sobre ela? Porque é que fotografaste essa senhora?

Esta fotografia mostra uma cozinheira… uma cozinheira na sua hora de almoço. Mas neste caso, esta fotografia foi tirada em Lisboa, e não pretende passar essa mensagem social. Neste caso quis mostrar o quotidiano da pessoa em questão e achei interessante apanhar este momento de descanso na hora de almoço desta senhora.

Aquela pergunta que te fiz há pouco.. quero tentar perceber um pouco mais.. o fotojornalismo não te diz grande coisa, sei lá, gostas por exemplo de autores como Sebastião Salgado. Ou que outros nomes tens como referência? Conheces por exemplo o Eduardo Gageiro? Ele é, por exemplo, um fotógrafo muito focado nessas questões sociais que falaste..

Gosto muito do Sebastião Salgado e também do Eduardo Gageiro. Diria que o que eu conheço mais, para te dar referências, seria sobre fotografia de rua, fotografia de Nova Iorque, dos anos 70 e 80, um pouco esse neo-realismo.

Eu como artista plástico, trabalho em muitas áreas e também trabalho em fotografia, estou aqui para responder a alguma pergunta que me queiras fazer. Ou queres acrescentar mais qualquer coisa?

Eu em 2015 e 2016 ia, como já te disse, todos os dias para a rua fotografar e a maioria do meu portfólio foi construído nesses anos.. depois abrandei o ritmo durante algum tempo até porque abri uma empresa fora deste âmbito da fotografia. Mas agora voltei outra vez a fotografar com mais frequência. Neste momento gostava de começar a expor mais os meus trabalhos, ou até começar a oferecer mais fotografias feitas por mim, para refletir mais sobre o poder artístico que existe na tiragem de uma fotografia, a fim de desenvolver mais a minha mensagem e o meu trabalho como fotógrafo. A pergunta seria, se na tua opinião, o analógico deveria ser algo para explorar mais, ou devemos captar mais em digital e aperfeiçoar essa arte?

Ocorreu-me agora, estávamos a conversar, que seria curioso trabalhares com película, até para reviveres e aperfeiçoares todas as técnicas que o ‘digital’ não te traz, e que essa compreensão da história da fotografia através do ‘não digital’ poder vir a ser muito útil ao desenvolvimento do artista fotógrafo, que pode ajudar a evoluir o tal momento que tu procuras captar do quotidiano das pessoas, por exemplo. Na fotografia analógica, a preparação do momento junta-se à história ainda da tua relação com o objeto, ou seja, tens que te aproximar da pessoa, conhecê-la e passar algum tempo com ela para que a fotografia seja criada, enquanto que no ‘digital’ tudo é fugaz e tímido e não existe essa “lentidão”, por assim dizer, na criação de todo o processo de fotografia que te permite criar laços humanos. O objetivo de criar uma história entre ti, como fotógrafo, e aquilo que vais fotografar, neste caso falando de pessoas, por ser o teu motivo de preferência, será, na minha óptica, aquilo que ajuda o artista a se distinguir no preparo e execução para fazer uma boa fotografia enquanto que a facilidade do momento fotográfico do digital te pode induzir em erro, se não o soubermos controlar, como por exemplo com o uso do telemóvel onde consegues mil fotografias em que tu sabes que quando chegares a casa podes apagar 999 para selecionar apenas uma única. Ou seja, não houve a criação desse momento de fotografia, mas sim a aparição de 1000 na esperança de o encontrar. Acho que o teu trabalho merece essa exploração.

Obrigado Luís!

Obrigado Diogo!

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