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Gonçalo Coimbra

Gonçalo Coimbra

Arte

Goncalo Coimbra Marta

Marta

sempre a torcer o cartao fumo mesmo a moda antiga

Sempre a torcer o cartão Fumo mesmo à moda antiga

Goncao Coimbra Ladybird

Ladybird

Goncalo Coimbra Lilith

Lilith

que la vida es un carnaval

Que la vida es un carnaval

mandala

Mandala D.A.M.A

Goncalo Coimbra TERRENCE Mckenna Mind MaP

Terrence Mckenna – Mind Map

Goncalo Coimbra what you cannot say you cannot comunicate

What you cannot say, you cannot communicate

Goncalo Coimbra Perola Sozinhos a chuva

A Pérola (Sozinhos à Chuva)

Entrevista

Gonçalo, vou te pedir que me fales um pouco de ti… quem é que tu és e de onde surgiu este interesse e esta paixão?

Sobre mim e a minha arte, acho que tudo começou bastante cedo. Desde miúdo que me dizem “tens imenso jeito”, e por gosto fui perseguindo
as artes visuais. No final do 12o ano escolhi estudar arquitectura porque achava que era uma área muito séria dentro das artes, uma ocupação muito respeitável, e tinha receio de optar por uma arte mais liberal. Quando saí da faculdade juntei-me a um amigo a desenvolver um projecto social, o Just a Change, uma nonprofit que reabilita casas
de pessoas carenciadas. Depois de dois anos de trabalho como empreendedor decidi sair do projeto e entrar numa onda mais artística e de expressão mais livre e introspectiva.

Aceitei um convite e juntei-me ao meu irmão e amigos para criar um projecto de música. Esse projeto terminou e, naturalmente, dei por mim onde tinha começado, a criar imagens.

Vamos começar pelos desenhos, estes painéis que estão aqui na mesa. A sensação que eu tenho é que eles nunca estão acabados. eu olho para eles com este sentimento. Estou a interpretar bem?

Sim, 100%, não é só uma impressão tua, eles estão literalmente inacabados. Por exemplo, neste desenho (Terence Mckenna Mind Map, 2019), se repararmos na imagem do Terence, representado como um shaman, vemos claramente partes dele que ainda estão a lápis. A minha vontade não era a de imprimir essa característica inacabada, eu fui desenhando e transformando os elementos até sentir que estavam prontos e aí passei uma linha a caneta preta por cima do lápis. Este é um processo demorado, e, no caso deste desenho, ainda não terminou. Neste momento estou a trabalhar numa imagem que se chama “Wordsworth in the Tropics”, que nasce a partir de um ensaio de Aldous Huxley com o mesmo nome. Eu tenho uma ideia clara sobre o que quero, mas desenhar é como um diálogo, algo que acontece no tempo, e portanto o está em constante transformação. Vou adicionando algumas coisas, retirando outras. E é também um processo de destilação. A mensagem ganha novas características e vai-se formando numa imagem única e coerente.

E reparei outra vez nesse quadro, que eu gosto muito. Representas sempre uma casa vermelha?

Sim, 100%, não é só uma impressão tua, eles estão literalmente inacabados. Por exemplo, neste desenho (Terence Mckenna Mind Map, 2019), se repararmos na imagem do Terence, representado como um shaman, vemos claramente partes dele que ainda estão a lápis. A minha vontade não era a de imprimir essa característica inacabada, eu fui desenhando e transformando os elementos até sentir que estavam prontos e aí passei uma linha a caneta preta por cima do lápis. Este é um processo demorado, e, no caso deste desenho, ainda não terminou. Neste momento estou a trabalhar numa imagem que se chama “Wordsworth in the Tropics”, que nasce a partir de um ensaio de Aldous Huxley com o mesmo nome. Eu tenho uma ideia clara sobre o que quero, mas desenhar é como um diálogo, algo que acontece no tempo, e portanto o está em constante transformação. Vou adicionando algumas coisas, retirando outras. E é também um processo de destilação. A mensagem ganha novas características e vai-se formando numa imagem única e coerente.

Então tens o receio de não transmitir a mensagem, ou achas que é um perfeccionismo que tu tens, um agarrar ao figurativo que não queres largar nunca? faz-te sentido a pergunta? Ou nem por isso?

Admito que sou um artista que usa a borracha. Não
tenho problemas em apagar e voltar atrás se sinto que o representado não está como eu quero, ou como imaginei. Procuro sempre o equilíbrio estético, um resultado o mais perfeito possível. Adoro desenhar a forma humana porque me capta a atenção – a pessoa é o nexus entre a natureza misteriosa, o intelecto e a emoção. E o nosso olhar também está habituado a reparar nas pessoas, e percebe logo se algo está fora do sítio ou desproporcionado. É um desafio sério representar a figura em contexto sem fugir da realidade, exige muita atenção e paciência. Por isso, quase sempre a minha mente funciona mais rápido do que a minha mão, e ambas jogam com o meu olho enquanto desenvolvo o trabalho. No futuro gostaria de encurtar essa distância.

Então o que é que te fez desenhar, de desenvolver uma cronologia como esta?

É uma visão que executo. Parto de uma imagem que surge na minha cabeça, geralmente associada a uma mensagem que considero importante para mim, e com o tempo vou apimentando essa mensagem/imagem com outras que me vão aparecendo. Gosto de ter essa linha condutora ao nível do raciocínio, e de embutir um objectivo e um pensamento por detrás de cada elemento que acrescento no painel.

Na peça do Mandala D.A.M.A, que á um album, segue o mesmo registo?

Sim, e este acaba por ser o primeiro desenho que eu fiz. Isto porque antes estava no tal projeto musical com o meu irmão, que entretanto terminou, fui desafiado a desenhar a capa do álbum, e foi assim que surgiu. Começou por ser uma pesquisa gráfica, círculos subdivididos em mandalas (os círculos estão muito presentes na minha arte), o ying yang, o mover da natureza, o universo. Devagarinho, tudo foi aparecendo de reflexões filosóficas, que depois ornamentei com pormenores da vida. Neste caso a mensagem é o equilíbrio polar da existência, preto e branco, contração e descontração, alegria e tristeza, noite e dia. São ideias gráficas que fui desenvolvendo e, sem conseguir explicar bem, todos os motivos aqui representados acabaram no sítio certo. E tudo são pequenas histórias e referências de dentro do grupo. Este triângulo por exemplo, é o símbolo dos D.A.M.A. (eles são três, como a trindade), a abelha faz alusão a uma música, aqui o artista chora a sua alma que se mistura ao som da guitarra, o polvo com vários braços simboliza a equipa que agarra o projecto e cuida o coração do artista.. O lobo foi o único elemento que eles pediram que eu incluísse, os outros fui desencantando. constante de algo. Porque ao fim ao cabo o que eu estou a trabalhar em arquitetura vou buscar na escultura e vice-versa. Porque quanto mais trabalhares em cima de uma ideia com mais expressões, mais enriquecedora vai ser essa ideia. Todos esses meios têm diferentes limites, sejam físicos sejam exigências exteriores ao trabalho, como na arquitetura que há sempre uma grande limitação, seja o cliente ou leis urbanísticas. Na pintura por exemplo a minha impressão na tela tende a ser menos realista uma antítese às regras e geometrias que uso na arquitetura e escultura. Por isso digo que são artes que se complementam na minha procura de forma.

Se pudesses então resumir o teu trabalho numa frase, como o farias?

O meu trabalho é uma visão, ou mensagem, que pretende cristalizar o máximo de detalhes e intenções possíveis num gesto estético. É um processo de criação em constante movimento e translação, uma explosão de vida e de ideias. No início até tive algum receio que as ideias me pudessem acabar, mas parece-me ser pouco provável agora. O mundo é tão diverso, muda tudo tão rápido (risos). Quero captar essa transformação e quero desenvolver, acima de tudo, um diálogo com quem olha para as minhas peças, para que exista também um debate sobre as ideias e filosofias expostas, de modo a que eu as possa aperfeiçoar e aprender, sempre.

Obrigado Gonçalo!

Obrigado, Luís!

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