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Guilherme Falcão

Guilherme Falcão

Arte

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GIJÓN III + MUNSTER

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BEGIRARI

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BARDOLINO

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HYDRIA

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BRION

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ODE MARÍTIMA

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OPUS TRAVERTINE

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OPUS TRAVERTINE II

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TRAVERTINA

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BEGIRARI DUPLA

Entrevista

Guilherme, quem és tu? Queria que me falasses um pouco sobre ti.

Quem sou eu? Eu sou um alentejano. Nasci
em Portalegre. E quando estávamos naquele Alentejo em rapazes achávamos que estávamos isolados dos grandes acontecimentos, nomeadamente nos centros urbanos maiores, e tínhamos essa vontade de sair e procurar essas novas oportunidades. Hoje, pelas conversas que tive, penso que essa ideia sempre existiu independente do sítio onde nascemos e sei que tenho muito orgulho em ser alentejano. Penso que sou um ser que procura expressões e formas, é por isso que gosto muito da ideia do ‘Guarda-Jóias’, porque é uma teia de expressões que se alimentam umas às outras. Porque esta procura entre médios, mesmo na arquitetura quando estamos a procura de expressões plásticas, pode ser feita através da escultura e pintura por exemplo, que esses médios te fazem percorrer uma busca através de um caminho que, para mim, é bastante divertido, e com isso ainda se obtém muita matéria artística, o que também acaba por ser muito enriquecedor para o produto final. Portanto, esse é o meu ser de hoje.

Noto uma matriz nos teus quadros, existe uma procura do irracional, uma procura de expressão? E uma dança de cor nas tuas telas?

O ponto era exatamente esse. Foi uma procura de expressão que começou em 2014 e estão aqui quadros que terminaram em 2020. Isto porque é uma procura constante até haver uma ideia de quadro final, de composição… Apesar de eu defender que nenhum quadro está alguma vez acabado.. Mas se tivesse que dizer quando um quadro termina, provavelmente diria que ele está finalizado no momento em que o vendes. Acho que esta procura está dentro de nós, o sentido de composição altera-se constantemente .. Nessa altura, nessa fase, eu tinha uma procura também teórica, entre as leituras lembro-me de cruzar a ideia de Kandinsky e do Osho, que é um filósofo (muito polémico nas ideias e ações dele) e fiz um paralelismo com Kandinsky que falava na existência de um triângulo espiritual. Um triângulo desigual que ascende lentamente conduzido pelo espírito. Os outros dois vértices representam a razão e o instinto do ser. O movimento do triângulo e o vértice que guia o artista impacta na sua expressão.

Osho também falava num triângulo quando se referia que o ser consciente seria o contrário do que nós pensávamos. Que era na inconsciência que o Homem é mais consciente. O triângulo de Osho representava cada vértice as três composições do Homem, o instinto, a intuição e o intelecto. E que a consciência do homem era conseguida quando nenhum dos vértices dominava a ação. Que todos tinham de funcionar em uno.

Talvez para ascender à expressão abstrata de Kandinsky também nenhum dos seus desiguais vértices pode conduzir o artista, mas sim o triângulo a movimentar-se em uno como um plano. E onde o silêncio da consciência, que não é conduzida pela razão, ou sentimento, mas por um movimento inexplicável ao momento que compõe a tela de traços e manchas de cor, traria a expressão mais pura da inconsciência, ou talvez seja mesmo da consciência.

E sentes que a tela te respondeu essas questões?

Eu acredito que sim, porque uma tela em branco, no início dessa procura, era sempre dura de lidar. Achava que um quadro teria que ter sempre as respostas de todo o mundo, que tinha que ter uma grande teoria por trás dele.. mas hoje em dia penso, ou pelo menos o meu trabalho não é isso, que a teoria vem depois e primeiro vem a prática. Porque a teoria já está dentro de nós, nos 100 livros que nós já lemos, mas nesse silêncio é que sai a expressão, esse conhecimento onde, na verdade, eu tento dois médios. Ao início eu trabalho com linha, numa tentativa de pintar uma primeira realidade e depois então venho com uma mancha, uma máscara, para mostrar apenas parte dessa realidade. Talvez uma metáfora à vida onde apenas mostramos partes ou janelas do nosso ser, e todos veem diferentes janelas do nosso íntimo.

Reparo, neste quadro por exemplo (Composição 05 da série planos com máscara cromática), que realças algumas partes através de uma linha mais forte, por vezes preta, que parece condutora. Como se ela cozesse o colorismo que os teus quadros apresentam? Sentes que isso é uma tentativa tua de racionalizares o teu trabalho ou que procuras sempre um figurativo para te trazer à terra?

Acho, porque essa linha preta é talvez o que vai buscar a essa primeira realidade, o que ela vai tentar redesenhar ou algo que eu quero demonstrar. Esse quadro é um dos que eu considero que melhor resultou. Ele tem a lógica de cozer a trama ou a forma com a linha mas estou muito feliz com resultado e sendo apenas um estudo de forma e de cor e não quer resolver todos os problemas do mundo nem criar uma grande narrativa.

Se tivesses que resumir o teu trabalho numa frase, qual seria a mensagem que pretendes passar?

A minha obra é uma procura plástica ramificada através de vários médios, com o objetivo de alimentar todos eles, seja na pintura, na escultura e na arquitetura. Portanto o que
eu pretendo na minha obra é retirar matéria para alimentar outra expressão, quase como se uma obra fosse um processo constante de algo. Porque ao fim ao cabo o que eu estou a trabalhar em arquitetura vou buscar na escultura e vice- versa. Porque quanto mais trabalhares em cima de uma ideia com mais expressões, mais enriquecedora vai ser essa ideia. Todos esses meios têm diferentes limites, sejam físicos sejam exigências exteriores ao trabalho, como na arquitetura que há sempre uma grande limitação, seja o cliente ou leis urbanísticas. Na pintura por exemplo a minha impressão na tela tende a ser menos realista uma antítese às regras e geometrias que uso na arquitetura e escultura. Por isso digo que são artes que se complementam na minha procura de forma.

Obrigado Guilherme!

Obrigado Luís!

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